MELAÇO EM PÓ COM VOLUMOSOS NA ALIMENTAÇÃO DE ÉGUAS EM REPRODUÇÃO

Herbert Vilela
Engenheiro Agrônomo e Doutor

I. INTRODUÇÃO

O aproveitamento de alimentos volumosos grosseiros para eqüídeos, como suplementos de pastagem, durante o período da estação de seca, tem aumentado ultimamente, seja pelo alto custo dos concentrados, seja pelo alto custo de volumosos mais nobres (silagens de milho, de sorgo, fenos de gramíneas, de leguminosas, etc.).

Por outro lado, 100% dos Haras no Brasil utilizam como volumoso para suplementar na época da seca, o feno de gramínea (Tifton ou Coast cross), ou capim elefante passado e/ou cana de açúcar. De um modo geral, estes volumosos são de baixa qualidade, ora por falhas em suas confecções, ora por erros no manejo de seus usos. Estes mesmos produtores, usam alguma variedade do capim elefante maduro (Pennisetum purpureum ou hybridum) vr(s), Napier, ou Mineiro, ou Cameron, ou Paraíso etc.) na forma picada, muitas vezes associada à cana de açúcar. Considerando o baixo consumo deste alimento volumoso suplementar pelo eqüídeo, seja pela baixa apetecibilidade, seja pela menor digestibilidade, tem-se como resultado uma queda brusca na produtividade dos animais, durante o período de seca. Por estas razões, a busca de uma solução para melhorar o desempenho dos animais vem aumentando nos últimos tempos.

Com o objetivo de melhorar o desempenho dos eqüídeos na época da seca foi proposto o presente trabalho de suplementar os animais com volumosos grosseiros com o palatablizante melaço em pó.

II. MATERIAL E METODOS

O trabalho foi conduzido em um Haras localizado no município de Esmeraldas (MG), Zona Fisiográfica Metalúrgica, com coordenadas geográficas 19°60’ de latitude sul e 44°45’ longitude W. Foram usadas 30 éguas da raça Manga Larga Machador, com peso vivo médio de 511,5 kg e com idade média de 7 anos.

As forrageiras usadas como volumosos foram o capim elefante Cameron (Pennisetum schum) e a cana forrageira IAC86-2480 (Sacharum oficinarum), em proporções iguais (50%). Os tratamentos consistiram de dois níveis de melaço em pó (zero e 0,75%) polvilhado sobre os volumosos. Como delineamento experimental usaram-se blocos inteiramente casualizados com quatro repetições (UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA, 1997).

As amostras de forragem foram obtidas à época de corte, ao início e final do trabalho e remetidas aos laboratórios para análises de matéria seca (MS), proteína bruta (PB), fibra detergente neutro (FDN), minerais, cálcio (Ca), fósforo (P), nutrientes digestíveis totais (NDT), digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS), segundo metodologias descritas por SILVA e QUEIROZ (2002) nos Laboratórios de Análise de Alimentos do Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG e no de Análise de Alimentos do CNPGL da EMBRAPA.

III. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados das análises bromatológicas do melaço em pó, da mistura 50% de capim elefante Cameron e 50% de cana forrageira (IAC86-2480) e do desempenho das éguas Manga Larga em reprodução, por tratamento são apresentados nos quadros de 1 a 3.

QUADRO 1- Análise bromatológica do melaço em pó – base natural.

M.S.(%) P B(%)  NDT (%) Fibra(%) P (%) Ca (%)  Minerais (%) 
  95,0  3,02   79,80   0,08  1,05   5,80    7,00

QUADRO 2- Análise bromatológica da mistura 50% de capim elefante Cameron e 50% de cana forrageira.

M.S.(%) PB(%) NDT(%) Fibra(%) P (%)  Ca(%) DIVMO(%)
28,80  2,50  41,50  60,00  0,04  0,20    56,60

Pode-se observar pelos resultados das análises que os valores obtidos estão em  consonância com aqueles obtidos por outros pesquisadores (VILELA,1989 e MACHADO,1992)

QUADRO 3-  Consumo diário de éguas suplementas com volumoso capim elefante (50%), com cana forrageira (50%) com (0,75%)  e sem melaço; pesos vivos inicial e final das éguas Manga Larga em fase de reprodução e ganhos médios diários por tratamento (durante 60 dias).

Tratamentos   Consumo volumoso (kg)   Pesos vivos (kg)   Ganho Diário (kg)
    Inicial Final  
Sem melaço     17,45b  512  543b        0,516
         
Com melaço     20,75a   511  562a        0,850
a>b; (P,0,005)

Os resultados alcançados com éguas, em fase de reprodução, em pastagem de capim Tifton suplementadas na época da seca (Quadro 3) com volumoso capim elefante passado e cana forrageira, foram satisfatórios, em relação aos dados correntes na literatura (NATIONAL RESEARCH COUNCIL,1989 e SILVA, 1998).

Os ganhos diários obtidos com melaço em pó foram maiores do que aqueles sem melaço (0,850 X 0,516 Kg/dia), confirmando o que foi comprovado para as diferentes categorias de bovinos (VILELA, 1996).

IV. CONCLUSÕES

O desempenho de éguas reprodutoras durante a época da seca, em pastagem de capim Tifton,  suplementadas com volumoso de baixa qualidade com o tratamento melaço em pó foi consideravelmente melhorado em relação ao tratamento sem melaço.

V. LITERATURA CONSULTADA

ASSOCIATION OF OFFICIAL AGRICULTURAL       CHEMISTS - AOAC.  Official methods of analysis. 15.ed. Virgínia: 1990. 648p.

CARVALHO, R.T.L.; HADDAD, C.M.; DOMINGUES, J.L.

Alimentos e alimentação do cavalo. Piracicaba: Losito de Carvalho Consultores Associados, 1992. 130p.

NATIONAL RESEARCH COUNCIL - NRC. Nutrients requirements of horses. 5.ed. Washington, D.C.: NATIONAL RESEARCH COUNCIL - NRC. Nutrients requirements of horses. 5.ed. Washington, D.C.: 1989. 100p.

MACHADO, H.M. Efeito de diferentes combinações de capim-elefante (Pennisetum purpureum Schum): cana-de-açúcar (Saccharum officinarum L.) sobre a digestibilidade, em eqüinos, utilizando diferentes metodologias de determinação. Viçosa, MG: Universidade Federal de Viçosa, 1992. 71p. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) - Universidade Federal de Viçosa, 1992.

SILVA, A. E. D. F..  CRIAÇÃO DE EQUINOS / EMBRAPA: BRASÍLIA, 1998

SILVA, D.J. Análise de alimentos: métodos químicos e biológicos. 2.ed. Viçosa, MG: Universidade Federal de Viçosa, 1990. 166p.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA - UFV. SAEG - Sistema de análises estatísticas e genéticas. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa, 1997. Manual do usuário, 150p. (versão 7.0).

VILELA, H. Padrões Oficiais de Matérias Primas destinadas à Alimentação Animal.Brasília, M.A.R.A   S.A.D.A   S.F.A, 40 p. 1989.

VILELA, H. USO DE MELAÇO EM PÓ NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS. www.indumel.com.br

 
     
 
   
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