Nitreto de Magnésio e Potássio (NMK) na Silvicultura

Herbert Vilela1

Adriana de Oliveira Vilela2

1Engenheiro Agrônomo, DS, Pesquisador do CNPq

2Engenheira Química, Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da RIMA S.A.

I - Sumário

Com o objetivo de avaliar o efeito do nitreto de magnésio e potássio (NMK) no crescimento de Eucalipto e Cedro cultivados em solos Neossolo Quartizarênico e Latossolo Amarelo Eutrófico, no Município de Campo Belo, no Estado de Mias Gerais. Inicialmente fizeram as correções da acidez e alumínio do solo, com 2,0 t de calcário por hectare A adubação básica usada em todas as plantas foi a mistura 08-28-16 nas covas de plantio na quantidade de 500 kg. ha - 1. As quantidades crescentes (0,00, 200,00 e 400,00 kg. ha -1) usadas de nitreto de magnésio e potássio foram aplicadas nas plantas nas idades de seis e 12 meses após o plamtio. Verificaram com as plantas Eucalipto aumentos de diâmetro 70 e 100% nos caules das plantas estabelecidas em solos com alto nível de fertilidade inicial respectivamente, para os níveis de 200 e 400 kg. ha-1, Por outro lado, os aumentos foram de 82 e 40% nos caules das plantas estabelecidas em solos com baixo nível inicial de fertilidade, respectivamente para estes mesmos níveis de NMK. Em relação ao Cedro os aumentos dos caules foram de 100 e 130% no solo de alta fertilidade, respectivamente para o menor e maior nível de MNK. Com esta espécie e com estes mesmos níveis de NMK os acréscimos nos caules foram de 56 e 76%, respectivamente. O delineamento experimental usado no trabalho foi o de blocos casualizados.

II - Introdução

O NMK, nitreto de magnésio e potássio, é um subproduto da fabricação de Mg primário da RIMA SA. O nitreto de magnésio e potássio contém cerca de 40-60% de Mg, O, 5-10% de Mg3N2, 10- 15% de KCl, 5% de Óxidos e 30% de H2O. A granulometria é baixa (95% abaixo de 2 mm), O PN é de 80% e o PNT é de 70% e o Mg é 80% solúvel em ácido cítrico.

O conteúdo de magnésio nos solos varia de 0,1% em solos de textura grossa, arenosos em regiões úmidas até 4% em solos de textura fina, em regiões áridas ou semi-áridas formados a partir de rochas com alto teor de Mg. Magnésio do solo origina-se da decomposição de rochas contendo minerais primários, são estes: dolomita e silicatos com Mg (hornblenda, olivina, serpentina e biotita), MALAVOLTA, 2006. Altos níveis de K trocável no solo podem interferir na absorção de Mg pelas culturas. A relação entre K/ Mg deve ser: < 5:1 para grandes culturas, 3:1 para legumes e beterraba doce e 2:1 para frutíferas e hortícolas, MARSCHENER,1993.

Entre os íons de Mg2+ e os íons de NH4+, → antagonismo indireto: Quando o NH4+ é absorvido pelas raízes, há uma troca de íons amônio e hidrogênio (H+) → o H+ exercerá influência antagônica na absorção de Mg pela planta. Quanto mais ácido o solo e maior as quantidades de fertilizante nitrogenado (com íons amônio), mais intenso é o efeito antagônico. Absorção máxima de P na presença de Mg, MENGEL & KIRKBY, 1987.

O Mg é carregador de P → na presença de Mg a absorção de P é aumentada. Absorção máxima de P na presença de Mg. A participação do Mg na ativação de ATPases que atuam na absorção e a participação do Mg nas reações de fosforização, TADESCO et al, 1985.

O magnésio diminui o efeito tóxico do Al e também assegura uma alta eficiência no crescimento das culturas em condições de solos ácidos, SILVA, 1986.

ROSALEM et al e OLIVEIRA CAMARGO concluem:

  1. Magnésio é absorvido pelas plantas como íon Mg2+ e é transportado até a superfície das raízes pelo mecanismo de fluxo de massa.
  2. Mg é retido como íon trocável por atração eletrostática em torno dos colóides negativamente carregados.
  3. Uma alta concentração de Ca no complexo de troca pode suprimir a absorção de Mg pelas plantas.
  4. Altos níveis de K trocável podem interferir na absorção de Mg pelas plantas.
  5. A absorção de P é máxima na presença do Mg.
  6. O Mg é constituinte da célula vegetal e participa de reações essenciais no desenvolvimento da planta.
  7. A falta de Mg traz prejuízos antes mesmo da visualização dos sintomas na folha.
  8. A disponibilidade de Mg as plantas deve corresponder com a época em que há necessidade destes. O elemento precisa estar disponível no solo.

III - Material e Métodos

O estudo foi realizado no município de Campo Belo, Estado de Minas Gerais, na Fazenda Cruzeiro (Latitude S - 20º 53 30”, Longitude W - 45º 16 15”) e altitude de 840 m, no período de fevereiro de 2006 a fevereiro de 2007. Os solos foram classificados como Neossolo Quartirarênico e Latossolo Amarelo Eutrófico, cujas características químicas e físicas iniciais são apresentadas no quadro 1.

QUADRO 1 - Solos analisados da área de pesquisa.

pH H2O H+Al Ca Mg   K   P       Testura (g. dm-3)
 --------------- cmolc. dm-3 --------------- areia silte argila
5,20 5,02 29 4  2  0,70 2 798,2 374,1 127,6
6,02 6,80 15 30 8 6,12 79 86,2  75,2  837

1 - Extraído com cloreto de cálcio 0,01 mol dm-3;

2 - Extraído com Mehlich-1

Utilizaram-se o Eucalipto (Eucaliptus grandis) e Cedro (Toona Ciliata CV. Australis) como plantas teste. Empregaram o delineamento de blocos casualizados, com três tratamentos , sendo uma testemunha ( 0 NMK) e quatro repetições. Os tratamentos consistiram na aplicação de NMK nas covas de plantio de Eucalipto e de Cedro. As doses empregadas foram 200 kg ha-1 e 400 kg ha-1. No plantio, foram aplicados na linha de plantio, em todas as parcelas 300 kg ha -1 da formulação 08-28-16 de NPK. Aos vinte dias após emergência das sementes, foi realizada uma cobertura nitrogenada com 150 kg ha-1 de sulfato de amônio.

As parcelas foram constituídas por dez linhas de plantas de Eucalipto e dez de Cedro, com 20 m de comprimento por 9 m de largura. As plantas foram espaçadas com 2 x 3 m. Para a avaliação dos resultados, com o fim de eliminar os efeitos adversos ocasionados pelas bordas das parcelas, utilizou-se para avaliação 15 x 6 m de cada parcela. A variável avaliada foi o diâmetro do caule tomado á 0,75 m de altura do solo em função dos níveis de fertilidade inicial e dos níveis de NMK usados.

IV - Resultados e Discussão

Os resultados (Quadro 2) foram submetidos à análise de variância e teste de F e as médias dos tratamentos foram comparadas pelo teste de F, para os contrastes entre as quantidades de NMK aplicados com a testemunha,ambos a 5% de probabilidade. Para as doses de NMK, dentro da mesma espécie foi aplicada também aplicada a análise de variância.

Quadro 2 - Análise variância dos diâmetros dos caules de Eucalipto e Cedro em função das quantidades usadas de NMK, da fertilidade inicial e idade da planta.

ESPÉCIE: EUCALÍPTO (E. grandis)
FERTILIDDE DO SOLO ALTA FERTILIDADE DO SOLO BAIXA
NÍVEIS DE NMK (kg/ha) NÍVEIS DE NMK (kg/ha)
ZERO 200 400 ZERO 200     400
DIÂMETRO DO CAULE Á 0,75 m AO PLANTIO (cm) DIÂMETRO DO CAULE Á 0,75 m AO PLANTIO (cm)
     2,17aA                                    2,20aA                                              2,16aA      2,15aA 2,16aA 2,14aA
     DIÂMETRO DO CAULE Á 0,75m COM SEIS MÊSES APÓS PLANTIO DIÂMETRO DO CAULE Á 0,75m COM SEIS MÊSES APÓS PLANTIO
3,53bA 3,27bA    3,42bA       2,39aA 2,81aA 3,14bB
DIÂMETRO DO CAULE Á 0,75m COM 12 MESES APÓS PLANTIO DIÂMETRO DO CAULE Á 0,75m  COM 12 MESES APÓS PLANTIO
3,70bA 3,73bA 4,40cB        2,45aA 3,02bB 3,89cC
a< 0,05  A < 0,05.
Números seguidos com letras minúsculas iguais na vertical são iguais.
Números seguidos com letras maiúsculas iguais na horizontal são iguais.
ESPÉCIE: CEDRO (Toona ciliata  Var.australis )
FERTILIDADE DO SOLO ALTA FERTILIDADE FERTILIDADE DO SOLO BAIXA FERTILIDADE
NÍVEIS DE NMK (kg/ha) NÍVEIS DE MNK (kg/ha)
ZERO 200 400 ZERO 200 400
     DIÂMETRO DO CAULE Á 0,75m, AO PLANTIO (cm)  DIÂMETRO DO CAULE Á 0,75m, AO PLANTIO (cm)
1,95aA 2,00aA 2,05aA 2,00aA 2,02aA 2,05aA
DIÂMETRO DO CAULE Á 0,75m, COM SEIS MESES APÓS PLANTIO  DIÂMETRO DO CAULE Á 0,75m, COM SEIS MESES APÓS PLANTIO 
2,80bA 3,02bA 3,01bA 2,15aA 2,81bA 2,80bA
DIÂMETRO DO CAULE Á 0,75m COM 12 MESES APÓS PLANTIO DIÂMETRO DO CAULE Á 0,75m COM 12 MESES APÓS PLANTIO
3,75cA 4,10cB 4,68cC 3,00bA 3,15cB 3,62cC
a < 0,05   A< 0,05
Números seguidos com letras minúsculas na vertical são iguais.
Números seguidos com letras maiúsculas na horizontal são iguais.

Para o Eucalipto em solos de alta fertilidade a idade afetou o diâmetro do caule das plantas aos seis meses após plantio e aos 12 meses a idade, Enquanto a quantidade de MNK afetou o diâmetro (P, 0,05), somente á idade de 12 meses. Em solos de baixa fertilidade a idade afetou o diâmetro do caule só aos 12 meses de idade como também as quantidades de MNK. Para o Cedro em solos de alta fertilidade a idade afetou o diâmetro do caule independentemente da quantidade de MNK usada, enquanto que aos 12 meses os diâmetros foram maiores nos níveis de 200 e 400 kg de MNK/ha.

Em solos de baixa fertilidade a idade afetou o diâmetro da planta aos seis e aos 12 meses após plantio e o MNK afetou o diâmetro do caule só aos 12 meses após plantio.

V - Literatura consultada

CARLOS RDUARDO DE OLIVEIRA CAMARGO. Bragancia, Campinas, 46(2)191-202.1987.

MARSCHENER, H.1993. Mineral nutrition of higher plants 2ªed.London press.889p.

MALAVOLTA, E. Manual de nutrição mineral de plantas .São Paulo:Editora agronômica Ceres Ltda.2006.631p.

MENGEL, K., KIRKKBY, E.A. 1987.Principles of plant nutrition.4ª ed. Worblaufen-Bern.:Intertional Potash Institute,687p.

ROSALEM, C,A., MACHADO J.R., BRINOLI. o Efeito das relações Ca/Mg e Mg/K do solo na produção de sorgo sacarino.Pesquisa Agropecuária Brasileira,Brasília, v.19, n.12. p.1443-1448.dez.1984.

CARLOS SILVA, D. J. Necessidade de calagem e diferentes relações Ca/Mg para a produção de mudas de eucalipto. 1986. 53 f. Dissertação (Mestrado em solos e nutrição de plantas) – Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG. 1986.

TEDESCO, M.J. VOLKWEIS, S.J. BOHNEN, H. Análises de solos, plantas e outros materiais. Porto Alegre. Faculdade de Agronomia, 1985.188p.

 
     
 
   
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