XIV Simpósio Latinoamericano - Asociacion Boliviana de Criadores de Cebu

Avaliação econômica na atividade de confinamento

Fabiano Alvim Barbosa; Venício José Andrade; Raphael Amazonas Mandarino; Camila Fernandes Lobo; Guilherme da Silva Firmino.
Escola de Veterinária - UFMG
Programa de Pós-Graduação – Ciências Animais - FAV/UnB
Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária - UnB

1. Introdução

A produção de proteína animal no mundo representa uma parcela significativa para a economia mundial. Grande parte dessa produção é representada pela bovinocultura de corte, especialmente no Brasil, Estados Unidos e Austrália que são principais produtores de carne bovina mundial. De acordo com a FAO (2011), com a emergência de vários países e o contínuo crescimento da população a demanda por proteína animal, em especial a carne, vem crescendo substancialmente.

As margens econômicas da pecuária de corte se estreitaram muito e o bom desenvolvimento técnico passou a ser determinante na estabilidade do sistema (Burgi, 2001). De acordo com Paulino et al. (2010), o Brasil tem como manter sua hegemonia na exportação de carne bovina, por ter vantagens com relação à expansão horizontal pelo crescimento em terras não-exploradas, e pela expansão vertical, com incremento da produtividade. Para atender à demanda dos mercados interno e externos, os pecuaristas devem conhecer a necessidade da indústria frigorífica e do consumidor final melhorando os aspectos de padronização e qualidade da carcaça bovina, segurança sanitária, certificação de origem e a qualidade do produto.

Segundo Bungenstab (2001), somente a melhoria tecnológica não basta para garantir a lucratividade ao setor de pecuária de corte, especialmente ao confinamento. O gerenciamento é essencial e o controle de custos é a ferramenta mais útil para alcançar um bom gerenciamento. A nova ordem econômica vem exigindo do produtor rural uma visão mais profissional da administração de seus negócios, demonstrando que a agropecuária apresenta o mesmo nível de complexidade, importância e dinâmica dos demais setores da economia como indústria, comércio e serviços (Lopes e Carvalho, 2002).

O sistema de produção de bovinos em confinamento é uma estratégia adotada na estação seca para evitar a perda de peso dos animais, fornecendo ração concentrada e volumoso no cocho. No confinamento o custo é mais elevado devido à demanda por instalações, máquinas, mão de obra específica entre outros, mas em compensação o animal ganha mais peso que no sistema a pasto, desde que a dieta esteja bem balanceada e todo o processo operacional funcionando.

O uso da terminação de bovinos em confinamento já foi usado como estratégia para aproveitamento das características sazonais do mercado brasileiro, que permitiam altas rentabilidades devido às diferenças de preço do boi gordo entre a safra e a entressafra que chegavam a mais de 40% nas décadas anteriores, sendo que atualmente não passa os 20%. Atualmente, o confinamento deve ser encarado como uma alternativa estratégica para aumentar a escala de produção da propriedade (arrobas/hectare/ano), retirada da categoria de engorda das pastagens na seca para entrada dos animais de recria e para produção de novilhos precoces.

Nesse contexto, o objetivo desse trabalho foi fazer uma revisão relacionada à atividade econômica do confinamento na terminação de bovinos e os diversos fatores que podem influenciar essa estratégia.

2. Revisão de Literatura

2.1 Análise financeira e econômica

O confinamento é utilizado mundialmente para produção de carne em condições adversas e para o aumento da produtividade. No entanto, o desempenho e a eficiência nutricional do confinamento de gado de corte são influenciados, entre outros fatores, pelo potencial genético dos animais e pela gestão da atividade. A otimização do ponto final de abate, tanto pela idade e grau de acabamento, quanto pelo peso da carcaça também tem efeito direto sobre a resposta biológica dos animais, sendo estes aspectos intimamente relacionados à rentabilidade do sistema (Mello et al., 2009).

De acordo com Lopes et al. (2005), várias pesquisas tem sido feitas para se estudar diferentes aspectos da terminação de bovinos de corte em confinamento, tais como nutrição, instalações, tipos raciais, sexo e idade dos animais. Entretanto, a maioria dos criatórios brasileiros continua aquém de suas reais potencialidades e poucos estudos têm sido realizados sobre a viabilidade econômica dessa atividade.

 A análise econômica da atividade gado de corte é importante, pois o produtor passa a conhecer detalhes como fatores de produção (terra, trabalho e capital), sendo que, a partir dessa análise é possível identificar os pontos de estrangulamento, que permitem concentrar esforços gerenciais e tecnológicos para se obter sucesso na atividade e atingir os objetivos de minimização de custos e maximização de lucros (Lopes e Carvalho, 2002).

O aumento da produtividade, com o uso de outras tecnologias como desmame precoce, suplementação alimentar, integração lavoura-pecuária-floresta, pode ser uma saída para aumentar a receita bruta de uma propriedade, mas isto nem sempre significa aumento na lucratividade (Costa et al., 2005). É necessário mensurar e avaliar economicamente o impacto do uso das tecnologias disponíveis para o aumento dos índices zootécnicos e produtivos nas diversas fases do ciclo de produção de bovinos, de acordo com cada sistema em particular, para que possam ser indicadas as melhores tecnologias (Barbosa et al., 2006).

A determinação de modelos bioeconômicos é fundamental para potencialização da competitividade dos sistemas de confinamento. Contudo, a carência de dados relativos às melhores alternativas de alimentação (de acordo com local e época do ano), melhor idade ao abate, melhores combinações de grupos genéticos e outros parâmetros biológicos e de mercado, dificultam essa sistematização (Gastal, 1980).

O sistema de custos é um conjunto de procedimentos administrativos que registra, de forma sistemática e contínua, a efetiva remuneração dos fatores de produção empregados nos serviços rurais. Os objetivos permitem auxiliar a administração na organização e controle da unidade de produção, e revelam ao administrador as atividades de menor custo e mais lucrativas, além de mostrar os pontos críticos da atividade (Santos et al., 2002). Dentre os procedimentos utilizados para a avaliação econômica da atividade agropecuária, o custo de produção é um dos principais parâmetros, e pode ser definido como a soma dos valores de todos os recursos (insumos e serviços) que são utilizados no processo produtivo de uma atividade (Frank, 1978).

Segundo Reis (2002), considera-se custo operacional todo aquele exigido para que as operações produtivas ocorram, sendo, portanto, imprescindíveis para a execução das operações e dos processos produtivos. Os custos operacionais totais (COT) são calculados somando-se os custos operacionais variáveis (COV) e os custos operacionais fixos (COF). Os custos operacionais fixos (COF) são aqueles correspondentes aos recursos que não são assimilados pelo produto no curto prazo. Assim, considera-se apenas a parcela de sua vida útil por meio de depreciação.

Também se incluem nesse grupo os recursos que não são facilmente alteráveis no curto prazo e que seu conjunto determina a capacidade de produção, ou seja, a escala de produção. Enquadram-se nesta categoria: benfeitorias, máquinas, equipamentos, consultorias fixas, impostos e taxas fixas, etc. Os custos operacionais variáveis (COV) são aqueles referentes aos insumos que se incorporam totalmente ao produto no curto prazo, não podendo ser aproveitados para outro ciclo. São aqueles alteráveis no curto prazo, ou seja, durante a safra, podem ser modificados. Também os recursos que exigem dispêndios monetários de custeio durante a safra se enquadram nesta categoria: fertilizantes, agrotóxicos, combustíveis, alimentação, medicamentos, manutenção, mão-de-obra, serviços de máquinas e equipamentos, entre outros.

Os custos totais ou custos econômicos são calculados, somando-se os custos operacionais totais (COT) com os custos de oportunidade do capital (COp). O custo de oportunidade (COp) representa o retorno que o capital utilizado na atividade agropecuária estaria proporcionando, se fosse aplicado em outras alternativas. É possível, dessa forma, verificar a viabilidade econômica do empreendimento, comparando o retorno financeiro desta com as de outras alternativas de uso do capital, como, por exemplo, a taxa de juros da caderneta de poupança ou a rentabilidade de outras atividades.

O levantamento dos gastos com o confinamento deve ser bem planejado devido ao elevado volume de recurso financeiro necessário. Conforme Barbosa et al. (2006), a maior parte do custo operacional total está relacionada à compra dos bois (72%) e à dieta (19%) (Gráfico 1). Os valores de máquinas e instalações são referentes às depreciações, portanto não são desembolsados no fluxo de caixa da fazenda. Para a mesma situação do Gráfico 1, ao retirarmos dos custos a compra de bois as proporções se alteram e a dieta terá o maior percentual (61%), seguida das depreciações (13%), mão de obra (7%), combustível (5%), vacina e outros (2%). Sendo assim, o preço de compra dos animais e dos alimentos, além do preço de venda, são de fundamental importância para a viabilidade econômica do confinamento. Em regiões onde o preço de compra do boi (na entrada) é superior a 20% da arroba de boi gordo; os preços de grãos e subprodutos são elevados devido à distância da fábrica até na fazenda; e os preços de boi gordo não são elevados, é totalmente descartada a possibilidade de realizar este confinamento, pois será inviável economicamente na maioria dos anos.


 
Fonte: Barbosa et al., 2006.

A análise econômica é a comparação entre a receita obtida na atividade produtiva com os custos, incluindo, em alguns casos, os riscos, permitindo a verificação de como os recursos empregados no processo produtivo estão sendo remunerados (Reis, 2002). Para se fazer esta comparação, podem ser utilizados os seguintes indicadores:

 Margem bruta = receitas totais – custos variáveis.
 Lucro operacional ou Margem líquida = receita total – custos operacionais totais.
 Lucro total = receita total – custo total.

2.1) Trabalhos de pesquisas com análise econômica

Barbosa et al. (2007) compararam três sistemas de confinamento analisando a viabilidade econômica da terminação de bovinos em confinamento. O sistema 1 era composto por 1189 cabeças, o sistema 2 por 1910 cabeças e o sistema 3 por 666 cabeças. Os custos operacionais variáveis (COV) representaram em todos os sistemas o maior percentual do custo operacional total (COT), com valores de 96,0, 97,9 e 97,3%, respectivamente, para os sistemas 1, 2 e 3. A compra dos animais foi o item que mais influenciou o COT, sendo responsável por mais de 70% em todos os sistemas. O lucro operacional foi positivo nos três sistemas indicando que o confinamento foi uma atividade que conseguiu viabilizar-se e pagar todos os custos operacionais (desembolsos e depreciações). O sistema 2 obteve o melhor resultado econômico que os sistemas 1 e 3, obtendo maior volume de vendas com um menor custo de arroba produzida, apesar do menor preço de venda da arroba entre os três sistemas.

Esses mesmos autores, citados anteriormente, relataram que o confinamento por si só não foi uma das melhores opções de investimento, mas ao considerá-lo com uma estratégia para o sistema de produção é que se entende sua função estratégica de antecipação da idade ao abate e intensificação do sistema, corroborando com Burgi, (2001) que, afirmou que o confinamento deve ser encarado como uma alternativa estratégica para aumentar a escala de produção de uma propriedade, reduzir a lotação de pastagens na seca e produzir novilhos precoces.

Já Lobo et al. (2011) registraram elevada rentabilidade de 5,85% ao mês (Tabela 1), para um confinamento de 95 dias de média, com 404 vacas, 758 garrotes, 233 bezerros e bezerras super-precoces, com uma dieta de cana de açúcar e ração concentrada (milho, soja grão, farelo de girassol, mineral e uréia). O custo operacional total da arroba produzida foi de R$ 71,36, obtendo um lucro operacional total de R$ 393.064,81, de R$ 23,31 por arroba e de R$ 281,77/animal. Esses resultados são reflexos de um confinamento no ano de 2010, onde ocorreu uma alta de preço de bovinos no Brasil, no período de agosto a novembro, decorrente da baixa oferta de carne no período. O preço médio de compra foi de R$ 79,30 e de venda de R$ 94,67 por arroba, o que, aliado ao custo da arroba produzida de R$ 71,36, fizeram com que a atividade obtivesse um lucro elevado, ou seja, o custo de produção da arroba e o preço de compra foi mais baixo em relação ao preço de venda.

Tabela 1. Avaliação econômica da terminação de bovinos em confinamento no ano de 2010

Custos Operacionais Variáveis (COV)

TOTAL - R$

COT - %

Compra de bovinos

1.341.536,93

76,70

Alimentação

331.125,61

18,9

Mão de obra

39.575,17

2,3

Vacina e medicamentos

1.699,00

0,097

Combustível

8.656,40

0,5

Subtotal

1.722.593,11

98,5

Custos operacionais fixos (COF)

TOTAL - R$

COT  - %

Máquinas e equipamentos

15.456,00

3,88

Benfeitorias

8.192,10

2,05

Subtotal

23.648,10

  5,93

Subtotal

26.270,16

1,5

Custo Operacional Total – R$

1.748.863,27

 

Receita Total – RT

TOTAL - R$

R$/arroba

Venda de bois

2.141.928,08

94,67

Custo da arroba produzida (R$)

71,36

 

Margem Bruta (MB) = RT – COV

416.712,91

 

Lucro Operacional (LOp) = MB – COF

393.064,81

 

Rentabilidade - % ao mês

5,85

 


Fonte: Lobo et al., 2011.

Ferreira et al. (2004) avaliaram os custos do confinamento entre diferentes grupos genéticos considerando a margem bruta como indicador de eficiência econômica para poder indicar qual dos grupos genéticos foi mais viável economicamente. Foram confinados 149 animais machos inteiros, pertencentes a nove diferentes grupos genéticos de diferentes idades e em períodos variáveis, de acordo com acabamento de carcaça. Os autores verificaram que os grupos genéticos que apresentaram maior margem bruta, foram o Nelore (de sobreano), Brangus e ½ SimentalxNelore. O maior desempenho foi obtido com o Nelore, em função da sua idade no início do confinamento (21,92 meses), seguido do Brangus (20,48 meses) e ½ SimentalxNelore (19,52 meses). Os autores chegaram à conclusão que, devido ao custo com alimentação ser de aproximadamente 80% do custo operacional variável total (sem considerar a compra de bovinos nesse custo variável), quanto mais rápido o animal passar pelo confinamento, mais eficiente economicamente será o sistema e por conseguinte, mais rápido o retorno de capital ao criador.

O grupo genético influencia o ganho de peso no confinamento, refletindo no custo da arroba produzida e na rentabilidade do confinamento. Cruz et al. (2004) relataram que bovinos Nelore apresentaram menor ganho de peso devido ao peso inicial mais baixo em relação aos outros cruzamentos. A rentabilidade ficou negativa devido à menor quantidade de arrobas produzidas aliada ao maior percentual de animais Nelore abaixo de 14 arrobas (deságio de 15% no preço de venda da arroba) (Tabela 2). Os animais permaneceram em média de 96 a 115 dias de confinamento em função do peso de abate.

Mandarino et al. (2010) avaliaram 2 grupos genéticos, Nelore e ½ NelorexBrahman, tratados com 2 dietas exclusivas de concentrado e uma dieta com silagem de milho e ração concentrada (proporção 25:75 volumoso:concentrado na matéria seca), com o objetivo de se avaliar economicamente os grupos genéticos bem como as dietas no sistema de confinamento. Os autores verificaram que ambos os grupos genéticos foram economicamente viáveis, sendo que os animais Nelore obtiveram maior margem líquida e um menor custo operacional total por cabeça quando comparados aos NelorexBrahman. Concluíram que ao analisarem as margens líquidas por kg de carcaça, foi encontrada uma superioridade das dietas exclusivas de concentrado, para ambos os grupos genéticos, viabilizando assim, em um aspecto técnico e econômico da utilização de dietas sem volumoso.

Tabela 2. Médias de ganho de peso diário (GPD), custo da arroba produzida e rentabilidade em função dos grupos genéticos e do peso ao abate

 

GPD (kg/dia)

Custo da arroba (R$)

Rentabilidade (%)

 

440 kg

480 kg

440 kg

480 kg

440 kg

480 kg

Canchim

1,60

1,55

41,69

41,64

0,6

0,7

Canchim x Nelore

1,38

1,40

42,50

40,85

-1,3

2,7

Limousin x Nelore

1,80

1,58

38,79

40,17

8,1

4,4

Piemontês x Nelore

1,48

1,49

40,49

40,15

3,6

4,5

Blonde d’Aquitaine x Nelore

1,53

1,54

39,18

39,52

7,1

6,1

Nelore

1,12

1,11

44,93

44,86

- 6,7

- 6,5


Fonte: Cruz et al., 2004.

Outros trabalhos conduzidos pelos pesquisadores da Embrapa Gado de Corte (CNPGC) mostram que a quantidade de concentrado na dieta (silagem de milho como volumoso) que proporciona melhor retorno econômico varia em função da idade e do grupo genético. Para novilhos Pardo SuiçoxNelore, de 20 meses de idade e 337 kg de peso inicial, a melhor conversão alimentar e ganho de peso foi alcançado na relação volumoso:concentrado de 40:60 (ou ingestão de concentrado de 1,5% em relação ao peso vivo), mas o lucro por animal foi maior na relação 60:40 (ou 1% do peso vivo). Para animais Nelore, com 39 meses de idade (375 kg de peso inicial), o maior ganho de peso e o maior lucro por animal foi alcançado na relação volumoso: concentrado de 60:40 (ou ingestão de concentrado de 1% em relação ao peso vivo).

Com o objetivo de entender a interação entre a condição sexual de bovinos jovens sobre o desempenho e a viabilidade econômica da terminação em confinamento, a pesquisa realizada por Fernandes et al., (2007), utilizou 30 animais Canchim, sendo dez machos não castrados, dez machos castrados e dez novilhas, com 15 meses de idade mantidos em baias individuais durante 105 dias. Os machos não-castrados apresentaram maior ingestão de nutrientes, maior ganho de peso, maior área de olho de lombo e foram mais eficientes quanto ao ganho de peso, sendo indicados para confinamento. As novilhas de raças de corte apresentaram bom desempenho e como o preço na aquisição de animais é um dos fatores que mais oneram nos custos operacionais, a utilização de fêmeas destinadas à produção de carne pode ser encarada como uma alternativa, pois esses animais apresentam menor preço de arroba ao início do confinamento e desempenho satisfatório, apesar do valor pago pela carcaça ser 15% inferior aos dos machos. Os machos não-castrados são os mais adequados para exploração de bovinos jovens em confinamento, independente da dieta.

Outro aspecto de grande importância na rentabilidade do confinamento é a escala de produção. Segundo Bannock (1977) há economia de escala quando a expansão da capacidade de produção de determinado empreendimento causa aumento dos custos totais de produção menor que, proporcionalmente, os do produto, resultando em menores custos médios de produção em longo prazo.

Segundo Lopes et al. (2007), o efeito da economia de escala pode ser percebido quando, à medida em que se aumenta a produção, os custos fixos são mantidos constantes, levando a redução dos custos médios unitários por arroba de carne em função da diluição dos custos fixos por maior quantidade de produto. Avaliando os efeitos da escala de produção na terminação de bovinos de corte em confinamento, a partir de programa de simulação de confinamento de 100, 500 e 1.000 cabeças (machos castrados), os autores confirmaram a viabilidade da atividade e identificaram os componentes de maior influência sobre os custos finais. Os resultados obtidos mostraram que a escala de produção afetou diretamente o custo total de produção da arroba de carne e, consequentemente, a rentabilidade. Os sistemas com maior escala apresentaram menores custos totais unitários. Os itens de maior representação sobre os custos totais para os três sistemas foram em ordem decrescente: aquisição de animais, alimentação e mão-de-obra. Para os três sistemas, tanto a margem bruta quanto margem líquida foi positiva mostrando que a atividade foi rentável e pode-se manter no longo prazo.

3. Considerações Finais

É necessário mensurar e avaliar economicamente o impacto do uso das tecnologias disponíveis para o aumento dos índices zootécnicos e produtivos nas diversas fases do ciclo de produção de bovinos, de acordo com cada sistema em particular, para que possam ser indicada técnica e economicamente as tecnologias. A intensificação está em função do capital disponível para o investimento, o risco e a taxa de retorno de cada situação. O planejamento técnico aliado ao financeiro é uma ferramenta imprescindível para verificar a viabilidade operacional e econômica das estratégias assumidas dentro do sistema e fornecer com maior precisão as informações necessárias para a tomada de decisão.

Diversos fatores influenciam a viabilidade econômica da atividade de confinamento, entre eles, o grupo genético, o sexo, a idade, estrutura corporal, estágio fisiológico, a dieta, dias confinados, preço dos insumos, preço de compra e venda dos animais. A viabilidade econômica do confinamento deve ser analisada com enfoque sistêmico sempre buscando a maximização do lucro da atividade.

4. Referências bibliográficas

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